sexta-feira, 10 de julho de 2015

INTRODUCING MYSELF





Sou Francisco Carlos Lopes. Tornei-me um "Chico Lopes" por obra de um velho amigo de Novo Horizonte, o poeta Ernomar Otaviano, que achava que eu tinha que usar um pseudônimo simples e popular. Tenho muitos "xarás", alguns na política e famosos, mas sou apenas o escritor - o que significa, no Brasil, penúria das grandes e visibilidade das ínfimas, já que escritores neste país, mesmo famosos, continuam anônimos pra quase todo o sempre ou viram aqueles tipos que dão nomes às ruas sem que os moradores das mesmas nunca cheguem a saber quem são. 
Com dez livros publicados (dois deles biografias sob encomenda, oito inteiramente meus, sob risco), continuo escrevendo, porque a vocação é mesmo kamikaze.

Meu escritor de cabeceira: Marcel Proust, pra todo sempre, com "Em busca do tempo perdido".

Meu cineasta favorito. Adivinharam: é Alfred Hitchcock. Desconfio que até lições para a minha literatura ele me deu. Ignácio de Loyola Brandão, que prefaciou o meu primeiro livro de contos, NÓ DE SOMBRAS (publicado em 2000 pelo IMS/SP), disse que meus contos parecem "roteiros de cinema". Não por acaso, ele também prefaciou meu livro NA SALA ESCURA, ensaios de cinema, publicado em 2014 pela editora Penalux.


Meu filme eterno: "Um corpo que cai". Continuo querendo que Kim Novak não caia daquela torre de igreja por causa da freira intrometida e acabe nos braços de James Stewart ( que são os meus, durante todo o filme). Poema de amor e morte. A angústia por transformar o mundo em que vivemos, de traição e miragem, numa alucinação de puro amor, puro desejo.



Cidades: Nasci em Novo Horizonte, onde vivi 40 anos, o que me valeu um livro autobiográfico, "A herança e a procura" . Vivi mais 20 anos em Poços de Caldas, onde minha carreira de escritor começou e tomou forma de fato. Há dois anos vivo em Brotas. Mas me considero transeunte, onde quer que esteja. Se não por nada, a menos por ser, como todos nós, hóspedes do vento, passageiros da vida, a curva do tempo e da morte logo ali, inevitavelmente, pronta para nos abocanhar. Resisto escrevendo, e de vez em quando pintando. Uma resistência que esse próprio vento poderá transformar em pó.

Mas temos que investir tudo neste pó que somos. Toda nossa paixão. E torcer para que o vento não o carregue tão logo.



Atriz: Bette Davis




Ator: Marlon Brando



















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