Tristeza: vou a São Carlos, cidade que não conheço direito, e o único cinema que encontrei perto do restaurante aonde fui tinha em cartaz o quê? Sim, o trivial do trivial - Minions, Divertida Mente, o novo Exterminador do Futuro com um já velho Schwarzenegger, um novo Jurassic Park e, soem as trombetas e ajoelhem-se, ó infiéis, vem aí mais um herói: o Homem-Formiga.
A quantidade de filmes de super-heróis me desespera. Não vi, até hoje, um só que me agradasse. Na verdade, nem insisti. Falaram-me, alguns amigos, da inteligência dos filmes de Batman. Mas não consigo levar a sério nenhuma espécie de super-herói, quanto mais um milionário freak que se veste de morcego e sai com seu garoto favorito a voar pelas ruas da cidade grande para fazer justiça. Superpoderes sempre me dão uma vontade doida de rir e, olhando para o lado, vendo aqueles fãs se agitarem em cadeiras perto de mim enquanto engolem pipoca amanteigada como animais, fico pensando seriamente que a cretinice humana e a vontade de ser onipotente andam perto demais.
O problema desses filmes é que não são para pessoas adultas, simples assim.
Mas há adultos que se rendem a eles sem pensar muito. E isso dá o que pensar.
De vez em quando, cismam de fazer uns épicos. Vi a nova versão de Os dez mandamentos, o Êxodo: Deuses e Reis, de Ridley Scott. Nunca pensei que acharia Scott tão fim de linha. Cecil B. de Mille, com seu épico original kitsch de doer, risível, com aquele Mar Morto aberto pelo cajado de Charlton Heston, era muito mais divertido. E agora vem aí um remake de Ben-Hur que está prometendo o brasileiro Rodrigo Santoro no papel de Jesus. Não consigo imaginar que papel será esse, que tamanho terá. Porque no Ben-Hur de grande sucesso da Metro em 1959 Jesus era mal uma aparição, uma presença. Mas parece que Santoro tem se contentado a fazer algumas pontas submissas em filmes de grande orçamento e escassa qualidade na América. No Brasil fez coisas bem melhores.
Só me salvo com os DVDs, e de vez em quando, porque as locadoras não fazem mais que repetir a dose de cretinice dos cinemas de maneira automática - é preciso fuçar em prateleiras, pegar alguns filmes antigos de qualidade garantida, para não ter decepções umas atrás das outras. Ultimamente, vi dois filmes realmente ótimos, Dívida de Honra, de Tommy Lee Jones, e O Abutre, com Jake Gylenhaal (não me lembro o diretor). Não são filmes populares, claro. Mas o resto (seguramente, uns 98% do que peguei)oscilaram entre o engraçadinho, o açucarado e o tedioso, quando não indo para o obviamente péssimo (não consigo imaginar, no momento, filme pior que "O garoto da casa ao lado", com Jennifer Lopez)
Entro numa livraria, mas era muito mais uma papelaria e, no canto (proporcionalmente muito pequeno) dedicado aos livros, só os inevitáveis volumes para colorir e livros que eu não compraria nem para dar ao meu pior inimigo, esses best sellers reluzentes, com capas que lembram anúncios de publicidade, ou religiosos e de auto-ajuda, a total aridez, a total ausência de vida inteligente. Não posso falar mal da cidade nesse quesito, pois suspeito que haja livrarias livrarias-mesmo, e melhores, só que não tive tempo para vê-las.
O mundo está chinfrim, as pessoas estão infantilizadas e ficando hostis quando seus pequenos desejos, suas picuinhas, preconceitos e baixarias são questionados ou confrontados com algo que não conhecem nem podem controlar bem, as opções estão chinfrins para ficar à altura de um público chinfrim que tem que ser adulado, tudo tende a ficar de uma banalidade aterrorizante e de uma vulgaridade sem tamanho. E tudo é caro, mas de qualidade duvidosa ou inexistente. Refugio-me em casa. Ao menos, posso rever algum velho filme querido de minha pilha de DVDs ou reler algum livro que me agrade.



Tenho uma sensação parecida com a tua quando ando de trem, metrô ou ônibus em São Paulo. Virou uma lembrança do passado ver as pessoas lendo, em viagens mais longas. Hoje contemplam bovinamente a paisagem ou enfiam a cara nos celulares, conversando freneticamente sobre... nada! Onde estou, o que comi, para onde vou, viu a Fulaninha da novela?
ResponderExcluirEscrevi sobre isso recentemente no Fósforo, espie: https://danbrazil.wordpress.com/2015/06/26/leitura-no-busao/
E quanto aos filmes, o que me salva é a TV a cabo...
Dan, vou dar uma espiada. Quanto a essa aridez cultural toda, o que me chateia é que parece que ter aspirações culturais mais refinadas é mesmo coisa de um ghetto cada vez menor de artistas e pessoas mais sensíveis e raciocinantes. A gente vai virando uns esquisitões.
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