sábado, 11 de julho de 2015

PAULINE KAEL ME INFORMA E DIVERTE



Sinto pela morte da crítica de cinema norte-americana Pauline Kael.
Verdade que já faz tempo que ela morreu. Mas, com ela morreu uma era bem mais inteligente do cinema. Na verdade, dizem que já no final dos anos 1980 ela já não aguentava mais tanta mediocridade no cinema comercial (imaginem se estivesse viva hoje em dia!). Mas não importa. Dois dos melhores livros sobre filmes que li em minha vida são dela: "1001 noites no cinema" e "Criando Kane", o primeiro pela Cia. das Letras, o segundo pela Record. São sempre instrutivos e divertidos. E segurar a língua ferina que ela tinha era impossível.
Vejam só o que diz de "2001", nada menos, considerado por muitos obra máxima de Kubrick:

"A pesada e vaga atração do filme talvez esteja em sua visão mística de um mundo espacial elegante, controlado por mentes divinas superiores, onde o herói (Keir Dullea) renasce como um bebê angelical. Diz que o homem é apenas um minúsculo nada na escala para o paraíso; algo melhor (ou seja, não humano) vem aí, e de qualquer modo tudo isso está fora de nossas mãos. A linha da narrativa de Kubrick - que explica a evolução como obra de uma inteligência extraterrestre - é talvez a trama mais redundantemente gloriosa de todos os tempos. A voz mal-humorada e rabugenta do computador Hal - única personagem divertida, lembra um homossexual rejeitado...(...)




Achei que ela dinamitar Kubrick tudo bem, porque acho este diretor às vezes monumentalmente presunçoso. Mas ela fala mal de um dos mais belos filmes já feitos, meu amado "Rastros de ódio", de John Ford, e aí me deu raiva de ler sua crítica. 

"É um filme peculiarmente formal e afetado, com Ethan emoldurado por uma porta na abertura e no fim do filme. Pode-se ver muita coisa nela, mas não é muito agradável. As falas são muitas vezes deselegantes e o modo como são ditas pior ainda, e o filme com frequência é estático, apesar da montagem econômica e rápida. (...) Até o fim, as atuações oscilam bastante."

Vale ler Kael. O prazer é sempre enorme, embora possamos discordar dela. Tinha uma maneira única de ver os filmes, culta e despachada, sem frescuras nem papas na língua.




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